Mercado de drones agrícolas é ‘esponja’ de empreendedores em Goiás

4 de setembro de 2026 às 13:49

Mercado cresce, mas ainda tem alta capacidade de expansão ao longo dos 130 milhões de hectares agricultáveis do estado

Um dos aspectos mais interessantes a respeito da evolução do agronegócio brasileiro e seu papel de âncora da economia nacional é a forma como ele começa a impulsionar nichos inteiros de oportunidades para empreendedores. Um deles é o mercado de drones agrícolas. Até o final de 2026, o setor vai movimentar R$ 2 bilhões. A frota do país deve aumentar de 35 mil para 50 mil unidades até o fim deste ano.

Em Goiás, o cenário também é de expansão. O estado possui uma dotação de terras agricultáveis da ordem de 130 milhões de hectares. Para cobrir esse espaço com os defensivos e insumos líquidos de que a lavoura tem necessidade para se desenvolver, o estado conta com a quarta maior frota pulverizadora do Brasil: 320 aeronaves agrícolas.

Cada vez mais, o agronegócio em Goiás tem apostado nos drones. A frota goiana desse dispositivo já conta com 10 mil unidades. Mesmo assim, ainda faltam alternativas para uma cobertura ideal do território estadual dedicado à agricultura. Quem participa desse mercado em expansão já tem ciência de um consenso: o ritmo acelerado de sofisticação dos equipamentos impulsiona um investimento contínuo e mão de obra especializada.

Para o empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos), o mercado goiano de oferta de serviços com base na utilização de drones agrícolas pode se configurar como uma das principais vias de empreendedorismo com chance de sucesso no curto prazo.

“Eu acredito muito nessa alternativa, porque o produtor rural já definiu o formato que ele quer para esse mercado. Ele não quer comprar o drone, montar toda a logística e manter a mão de obra especializada necessária para operar o aparelho. A via escolhida pelo agro foi a terceirização desse serviço. É aí que o empreendedor entra”, avalia Mabel.

Felipe Mabel afirma que um dos aspectos mais animadores desse mercado em ascensão é a quase ausência de barreiras de entrada. “Isso é típico de um mercado em expansão. É necessário menos esforço para conseguir uma entrada bem-sucedida. É montar a infraestrutura necessária e divulgar a oferta do serviço. Diante da demanda em expansão, há uma grande capacidade de absorver toda oferta apresentada dentro dos parâmetros técnicos e legais exigidos”, comenta o candidato.

Se as barreiras de entrada são um atrativo, por outro lado as exigências técnicas e burocráticas para iniciar as atividades em uma empresa de drones agrícolas são consideráveis. Entre cursos, cadastros e registros, são necessários pelo menos cinco procedimentos, vários deles de média a alta complexidade (ver box). Para Felipe Mabel, a oportunidade vale o esforço. “Uma das principais características de todo empreendedor deve ser a resiliência, acreditar em uma ideia e apostar no potencial que ela tem. Quem consegue passar essa barreira encontra oportunidades reais de crescimento”, salienta.

Investimento inicial e crédito

O investimento inicial para montar uma empresa de drones agrícolas é calculado em R$ 155 mil em média. Tudo gira em torno do tipo de equipamento que se deseja adquirir, e onde atuar. O rendimento médio varia entre R$ 25 e R$ 80 por hectare. Além do drone, a estrutura necessária para oferecer o serviço envolve geradores de alta potência, tanques para misturadores de calda, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), veículos utilitários, anemômetros e dispositivos de monitoramento.

Felipe Mabel ressalta que várias linhas de crédito surgem como opção para aqueles interessados em apostar nesse mercado. “Além da Agência GoiásFomento, por meio da disponibilidade de linhas do BNDES para modernização tecnológica e aquisição de maquinário, existem possibilidades com o Banco do Brasil, que possui pacotes de consórcio direto com os principais fabricantes de drones, e a Caixa Econômica Federal, que possui linhas específicas para empreendedores iniciantes”, comenta o empresário.

Mabel também cita as cooperativas de crédito, sobretudo aquelas que atuam com maior capilaridade na área agrícola. “Elas podem ser vantajosas por serem mais flexíveis na análise de crédito, taxas de juros menores e prazos de carência mais alongados”, comenta Mabel.

O candidato encarece as virtudes do agronegócio, no que para ele é uma nova etapa da evolução desse setor da economia brasileira. “Quem apostar na prestação de serviços para o agronegócio vai ganhar. É um setor que, ao contrário do que seus críticos afirmam, está longe de poupar mão de obra. O agro quer gente para trabalhar. Só não o faz como se fazia no passado. A opção não é o assalariamento. O agro quer contratar o empreendedor. E essa é a sua maior virtude”, ressalta.

O que é necessário para se tornar um operador de drone agrícola:

1 – Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR)
Exigido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
Custo médio: R$ 1.150,00

2 – Cadastro no SIPEAGRO
Rrealizado no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO). Exigido pelo MAPA. É necessário atuar a partir de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) assinada por engenheiro agrônomo.

3 – Registro do drone
No Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

4 – Homologação do drone
Realizado no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Todo voo deve ser previamente agendado e autorizado.

5 – Registro no IBAMA
Obtenção do Certificado de Regularidade. A atividade de pulverização é classificada como potencialmente poluidora pelo órgão ambiental federal.